Epicteto

Sabe-se muito pouco dessa grande figura do estoicismo que foi Epicteto. Nasceu em Hierópolis (Frígia) por volta de 50 d.C., foi escravo de Epafrodito, o secretário de Nero, ensinou em Roma e no Épiro, e foi amigo do imperador Adriano.

O que parece indubitável é que o seu obscuro nascimento, sua laboriosa juventude e a rude existência que era tradicional no velho estoicismo grego conduziram-no naturalmente à “filosofia do pórtico” (como era chamado a corrente filosófica estóica), que ensinava a desprezar a opinião alheia e a desdenhar honras e riquezas, proclamava que a verdade era um combate e a felicidade consistia no triunfo da razão e da vontade sobre as paixões.

Escravo de um amo ambicioso e cruel, Epicteto sofria frequentemente maus tratos, e aquela sua condição forçada e miserável serviu de pedra de toque à sua alma independente para mostrar-se tão dona de si mesma e tão firme, que nem os golpes adversos da fortuna, nem a injustiça dos homens, foram capazes de dobrá-la. Com a morte de Epafrodito, parece que Epicteto recobrou a liberdade e, então, empenhou-se a ensinar suas doutrinas, porque não muito mais tarde aparece listado no édito de Domiciano contra os filósofos. Desterrado com muitos outros, saiu de Roma e da Itália e foi a Nicópolis, no Épiro. Ali continuou ensinando e aumentando a enorme reputação que já havia adquirido, não somente pelos seus preceitos, mas pelo exemplo admirável de sua própria vida. Porque seu cinismo estava enobrecido pelas normas éticas principais e indispensáveis, como a resignação ao destino, a renúncia aos bens do mundo, a compreensão e tolerância dos defeitos alheios, e a fé (fundamento metafísico de toda a doutrina) em uma divindade que rege o universo. As coisas, dizia Epicteto, são de duas classes: umas dependem de nós, as outras, não. Dentre estas últimas estão o nosso corpo e sua integridade, as riquezas e as honras que nos são inteiramente alheias. Nosso bem e nosso mal, ao contrário, estão completamente dentro da es fera de nosso poder.

Agir bem é agir conforme a nossa natureza e a nossa razão. A verdadeira virtude consiste em suportar e abster-se. A vontade é tudo no homem, e para fortificá-la há que atender a Deus.

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