Vinicius Ribeiro

Com o objetivo de fazer um relato fiel da Fortaleza que escapa aos olhos dos turistas, Vinicius Ribeiro vivenciou durante seis meses o dia a dia de uma comunidade, conversando com moradores e estudando sobre/vivendo a relação da Prefeitura-polícia-burguesia para com a periferia. A experiência foi como um laboratório para o autor, pois tornou possível abordar as questões propostas no livro como racismo, repressão policial, abuso dos pais, violência contra a mulher e a guerra de repressão às drogas que pune e mata, em sua maioria, a população pobre e afrodescendente.

"O governo, tanto quanto o traficante, ganhava. E no meio de tudo isso, a polícia controlava a favela, entrando em seus becos e torturando a juventude negra, mas não chegava perto do portão da Mansão Macedo, onde o pó rolava solto, assim como no Pau Fininho. E chacinas na grande Messejana, e festas nas coberturas dos deputados, e viciados virando noites, atravessando trilhos, e sem pernas e sem braços, subindo escadas, batidinhas de ferro, coleguinhas, cinco reais, trinta reais, a pé, de Land Rover, da rua, do Meireles, do Bairro de Fátima, da Barra do Ceará, da Europa, de toda parte, de toda classe, de toda ordem, de todo mal."

Vinicius Santos de Mattos Ribeiro nasceu em Fortaleza, no ano de 1990. Escritor, professor, pesquisador e poeta, tem se destacado em todas as áreas que atua. Com 20 anos teve sua estreia como escritor com a publicação de seu primeiro livro Fúcsias e outros contos, o qual foi premiado na categoria Melhor Livro de Contos Moreira Campos em concurso promovido pela Secretaria do Estado do Ceará. Charada Azul, seu segundo livro, vem a público financiado por amigos, familiares, e pessoas ao redor do mundo através de uma plataforma de financiamento coletivo, administrada pelo site Catarse.

Por: Carlos Cruz Nascimento e Roberto Rodrigues

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